domingo, 20 de novembro de 2011
LANÇAMENTO ANTOLOGIA 2011
É dia 3 de Dezembro 2011 n'O
ESCONDIDINHO
Rua da Várzea, 427
CETE - Paredes
Coordenadas GPS
Latitude: 41.175367 (N) Longitude: -8.349556(W)
Comparece, participa, pede uma dedicatória aos autores. São 22.
Abraços e Beijinhos.
JFernandes
segunda-feira, 16 de maio de 2011
ADORMECER NO MUNDO!
— ao P. Carlos Galamba
Repentinamente
vestiu-se escura a primavera e
tão nebulosas – como a chuva que chegou a esta Hora
para lavar o jardim e humedecer-me os olhos –
as coisas que ungem a Vida adormecida no chão daqui.
E porque eu e Ela unidos nos firmamos
sei-me testemunha dessa existência
que consuma ser a memória mais álgida que a penumbra
estendida nesta Capela
com seu embalar profundo e empreendedor
que me estremece Teu Ser.
(Se deste lado alguma lágrima transpira
– diante da sala e por ela exilada! –
é porque foi dado ao que Existe
o que não haverá de ser fronteira ao Unificado!)
Além da retina a Casa é grande
e quão forte me soa – ermo desta noite – solidão!
O vasto agreste constrói na parede
a saudade e a despedida do que resta ser à vista…
e será amortalhado ao destroço de um passado
fechado nas pálpebras do Silêncio que Te embala!
Profuso foi olhar-te Templo adormecido
e meu peito que esperava o esplendor de astros
abriu mão a um adeus singelo e nobre
com a possível mansidão do que é transeunte.
A Luz aproximando Tempo e Lugar
o aroma das flores e o embalo do fogo na luminária –
permeio do eterno que Te amanhece
com a precisa formosura de Quem assentou mármore.
Agora que a primavera singrou no ciclo
cada pulsar da juventude que foi – olho o Mundo
e a nebulosa em que se enrugou a memória –
o que se apagou não existe mais
aos olhos adormecidos
nem o óleo quente escorrendo pelas paredes
reflectirá a unção sagrada à Vida
nem o sangue da árvore ou o calar da ferida
dará outro sentido à Estação aqui prostrada
nem a lágrima que me lava
– oh, véu transparente! –
acrescentará peso à delicadeza e à saudade…
E que sombra alguma jamais separe
o Homem e o Céu!
©JFernandes – 11.Mai.2011 — in Jornal O GAIATO, n.° 1754, p 3.
segunda-feira, 7 de março de 2011
A Luz da Pedra

imagem
pela preposição, poderia dizer d’ele… ou com ele –
que o remédio dos homens faz-se também de princípio
(ou é dele ou com ele). pela rebeldia dos olhos,
poderia dizer que é com e, assim, estabelecer uma linha
de seiva que, subindo pelos troncos, alimentaria a árvore toda
(fosse meu corpo madeira a dançar ao vento
ou uma ave planando sobre a superfície do mar;
fosse meu ser mais que caravela dobrando cabos –
de tormentas ou boas-esperanças – e eu diria mais…
preposições… advérbios: modos e lugares: circunstâncias).
mas não. o poema não é isso. não deve ser isso.
o poema é a água que caiu na raiz da pedra e só pode ser lágrima
que acompanha a primeira queda dos registos rupestres.
pela preposição, poderia dizer da outra argola que entala a boca –
ou ele ou dele todos os cabos da escrita selvagem.
com ela e por ela, poderia afirmar coisas que os olhos não narram.
contar os cravos das mãos por cada estrela apontada…
e fazer pérola cada aljôfar de água
com que os antepassados pintaram… — a luz da pedra.
©Júlio Fernandes - Fev. 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
O VENTO DO POEMA…

— QUE PARTE?!
a: Anderson Santos, pela Obra [o imortal]
cada ritmo da linguagem é um caminho sem retorno.
tenho o sangue puro de quem olha os dentes
na encruzilhada da via ao escurecer
tenho pedaços de sabor a sair pela abertura da boca.
cada passo é apenas um passo que se faz a pouco-e-pouco
como frases que se sucedem para um fim já encontrado
– eterno –
como esse corpo nu sobre a estaca que mata o silêncio
da voz.
tenho marcado o Z do alfabeto nos dedos que me queimam e,
na língua,
a ferro e fogo,
o ritmo da linguagem do caminho sem retorno
onde o sangue entorna os dentes escuros do nu.
©JFernandes, Mar.02.2011
na esteira de A WHITER SHADE OF PALE - Sarah Brigtman
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