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terça-feira, 5 de maio de 2009



















Campo de Letras

II

Há certa sagacidade na gente raiana.

Alguns têm até

o dom de nos espantar

com visão da nudez e do fogo

que chega no solstício maior.


A serra despe-se despudoradamente.

Desquadrilhando-se, o matagal soberbo.



A ousadia é um sinal singelo.


Encontrámo-nos algures sob o azul.

A maternidade da terra aporta no olhar.

Verticalidade da vinha

em socalcos rasgados do seu ventre,

ri com seus dentes verdes.

Uma águia chama ao deslumbramento.

Poderia deixar as mãos deslizar

pelas tuas rochas nuas, acariciar

teus espaços como sol.

A nuvem dos pensamentos diluiu-se

nas tuas encostas graníticas.



A viagem começa perto do meio-dia.

No bornal, momentos.

Esses mesmo que também levas

aos lugares que visitas,

sem medos,

pois que passam todas as alfândegas.



Há registos de pré-história no corpo.

Impressões de mãe no vento da Serra.

Um sopro morno, de quatro rios.

Brancuras e grutas e sinais castrejos

nas pedras da minha terra.

(Sonolento

desejo de acordar.)



Dois rios no estuário. Um oceano desconhecido ruge. É noite.

Apetece-me prender o tempo nas asas dum falcão-peregrino.

Voar na imensidão da seara rumo a nenhures.

Se soubesses quantos planos comporta

o pensamento duma cordilheira…



Antes do crepúsculo, tudo adormece.


As cores são mais vivas com a lua

e as vozes mais sonoras

são gargantas de silêncio;

a montante

a intensidade vai descendo;

nevoeiro pelas costas da serra

o véu sob os rios.

Quando a oração chega, a Confirmação sacramental

não reduz a luz.


Se desaguar um ribeiro no teu leito,

se na sua bordadura encontrares areias,

se delas fizeres praia fluvial.

Convida-me à plenitude.

Também sou forma e curso e vento

pairando sobre as montanhas.



Fortifico a povoação

do corpo, no cume

do vinho os

socalcos da serra

engravidam

os olhos nostálgicos.


Um morcego de bigode retira-se

a manhã despe a noite.

Instalados no risco dos socalcos castanheiros

afloram as encostas penetrando a terra basal.


Deixai-me vergar o centeio.


Descamisar a espiga da boroa.


Regar a urze peluda

com a humidade retida entre as pedras.



Sou romano nas tuas terras;

cobiço: o esplendor de teus vinhos,

o calor de tuas águas termais,

a abundância do teu colo.


Panóias, do meu desassossego,

apazigua, cativa

o meu deslumbramento

vertical.

Às vezes, são as vertigens que me assustam

e me fazem fugir de ti.

De mansinho, o vento vem dobrar o colmo.

Assobia entre o xisto chamando a fauna.

Há um lugar imponentemente belo —

o vale profundo onde me deito ao raiar da aurora.



Se te pudesse olhar com a mesma doçura

com que me olhavas nos idos de maio,

quando me deitavas no teu poema,

inteiramente aberto

ao contacto das minhas mãos…

Mas maio foi abril

de anos corridos em penumbra.


Sabes,

ontem balancei-me nos teus picos.

Tomei banhos de vento e de sol —

recordei-te como sempre foste.

Contigo nunca precisei de óculos

protectores,

mesmo quando te pintavas de branco

para me arrefecer o corpo

nos dias de febre.


Hoje, volta a ser maio em abril.

As águas do mar, têm o mesmo som,

os rios correm para o mesmo lugar,

pela mesma estrada.

(Já para ir ter contigo!…,

fizeram via nova, rápida,

como se visitar-te fosse coisa…

tipo «rápido».)


Deixei-me seguir ao longo

de teu longo corpo

ansiando sentir-te

meu maio

abril em mim.

Os passos são luz quando se regressa às origens.

Irremediavelmente, tudo evolui.

Anda no ar uma tecnocracia de evolução…

e na terra um sardão (ou será víbora-cornuda?!),

ou martes foina, e o rio ali mesmo: Ovelha!



Era, talvez, um corvo.

Um corvo!, sim!, seria?!

Aquela ave que nos seguia

pelo alto da serra

despida de preconceitos

de céu e chão. Ou

seria um gavião a levedar o pão,

a ave que nos seguia

pelos altos do marão?


De rapina!?

a memória pequenina

daquela pequena escola

que foi minha, muito viva,

aconchegadinha

ao poder que a recorda.



O caminho serpenteia.

Encosta a cima, geme o entrudo.

Melhor fossem os lobos, alcateias inteiras. Corços!

Um esquilo ainda saltita nos ramos do Carnaval.



É tardinha nos sorrisos soltos

a luz da serra ficou lá longe,

no mesmo espaço para onde voam

os soltos sorrisos da tardinha.


É da idade. Sempre a idade a trair

a urdidura do tempo que foi lá…

na luz da serra que ficou longe,

na tardinha dos sorrisos voadores.

Ainda assim, são eles e ela na tardinha

campanários d’alma bem fresquinha

nas janelas da estrada a serra minha


a casa do ser no seu todo.

O pássaro que voa é um tordo

na manhã da outra casa…



Era dia dentro da noite.

A recordação desperta pela serra como silêncio

duma ave alerta com olhar fixo

na distância.


Podia dizer-te da força do vento que a povoa ou,

simplesmente,

falar daquela coroa, elevada sobre a urze

e a carqueja,

e dos tojos a protegerem da aproximação.

Mas, não.

Sob a neblina, o horizonte

abre-se à majestade,

a esse doce esplendor presente

da saudade,

quando a manhã acorda branca.

Morna e branca a manhã da casa.

Ainda que a luz seja pálida,

há um interruptor que recorda

despudorando

palavras de ventre,

calores de entranhas, montanhas

com seios lisos sob o céu azul…



O passado é memória nos olhos do observador.

E como é rude esta vida, este olhar encurtado,

vincado

na passagem daquela saudade infantil,

própria.


Ainda que fosse uma águia-caçadeira. Uma toupeira-
-de-água. Um tarta-arranhão-azulado.

Uma gralha-de-bico-vermelho. Um

melro-das-rochas. Um falcão-peregrino,

a dormir nas palavras.

É tardinha nos sorrisos soltos

a luz da serra ficou lá longe,

no mesmo espaço para onde voam

os soltos sorrisos da tardinha.


É da idade. Sempre a idade a trair

a urdidura do tempo que foi lá…

na luz da Serra que ficou longe,

na tardinha dos sorrisos voadores.


Ainda assim, são eles e ela na tardinha

campanários d’alma bem fresquinha

nas janelas da estrada a Serra minha


a casa do ser no seu todo.

O pássaro que voa é um tordo

na manhã da outra casa…


FERNANDES, Júlio A. B. - Março 2009.


















Campo de Letras




Tenho sono.

Acontece

às vezes

ter sono.


O mesmo sono das palavras sossegadas

na verticalidade da prateleira.



Se soubesses o quanto me incomoda o piscar de luzes, os

berros da noite na sala de espera ou o marear do búzio

encostado ao ouvido. Ainda que fosse jardim de palavras

plantadas tardiamente a florir em Março?

Talvez deixe os versos beberem um pouco do verbo,

apenas para dizer de como me aquecem as brasas depois

do fogo consumir os ramos.

E se florir alguma coroa-de-rei com cor-de-lume entre os

jacintos bronzeados e os cor-de-neve, é porque a terra

ainda consome dias de verão.



Aflige-me este piscar constante

de ambulância em urgência;

este sol estridente

que me não deixa dormir

quanto cia

na verticalidade inversa

dos ecos da prateleira.



A partir duma certa idade, o sono demora. Entre o ir e o

regressar corre o dia da lua. Talvez por ordem de

engano!? Há quem o alongue. Há quem o encurte.

No meu jardim as flores abrem com a luz das estrelas.

É verdade, também há girassóis nos vasos que sobem as

escadas para a cozinha, pelas traseiras.

Envergonhados, voltam costas ao quintal coberto de ervas

daninhas. Mas, por estarem nas costas, sentem-se melhores,

com mais calor e humidade.

Envaidecidos, não olham a porta principal onde os vasos

maiores, com as flores mais exóticas e belas, ornam a voz.



Aquele jacinto — caulescência

sem utilidade no jardim —

atrapalha-me o dia.


Silencioso

tombou na terra

sem abrir flor.


O real invadiu o horizonte dos olhos

quadrifendendo o mundo

em conjuntos não contidos.



Com asas de surpresa, este falar mudo afirma-se no tacto

e, refrescando os olhos, entra na corrente.

Bastará a mente e seus impulsos eléctricos para fazer fluir

o Rio? Pulsará no tempo a água vermelha que escorre

por todos os hemisférios do corpo? No dia em que a luz

entrar no alçapão do sótão, que descobrirá?



A minha escrita etiquetada —

marca contrafeccionada

em comércio de feira?…


Talvez…


Caminho divergente

convergente

aposto à mesma ideia

de sempre.


Apenas

rasgado com outro sabor:

o meu!



Os dias são uma sucessão de surpresas encontradas nos

caminhos onde entramos quase, quase, quase sem querer.

Quase… quase como folhas que vamos colorindo, brincando

com o silêncio, o pó, o rio estendido ao sabor do nosso

refresco, brinca com o veneno que traz na língua. Quase

fogo. Quase… asas queimadas, não levantam voo.



o silêncio

atinge

a irrealidade,


no corredor do nada

realiza

o vazio.


o vazio é nada.

o nada é silêncio.

o silêncio é palavra.

a palavra é surpresa,


é escárnio:


livro deitado

a ressonar o poema.


...


sou inútil quando durmo,

dormindo não realizo

o silêncio da ausência

— inominada —

brancura de página resistente


na vaga

enrolada

nas saias de Abril

a flor azul

enraizada

no Março

a florir

no Maio —

a boca do Outubro

nos olhos:

o silêncio absoluto

a ânsia

presença/ausência

inútil quando durmo.


esse fascínio especial

de eco perene

inevitável

ao ritmo do rumor

insuperável —

musical contradição

na brancura final.


a transparência é:

a mórbida vontade

do espelho,

em apresentar

invertida

a imagem aos olhos

analógicos

da ilusória urdidura.



FERNANDES, Júlio A. B. - Março 2009.




















CORES


1.


Um carro…


Rodas preso nas linhas;

todas,

corpo


entre troncos

lambidos

a fogo.


Dentro, as margens do vento

na face

rosada

florida flora

rústica telha vermelha.


Pelo outro lado, sobem

gorjeios

líquidos

aos pés das cabras.


Não corras a voz

nos fios

telefónicos


ela soa melhor

nos fios

do chão.



2.


Onde estiveram, assim, tão cheios

de seiva teus seios simples,

duros.


(Suculência apertada na boca

da urze e da carqueja

até meus olhos?


Esse leite escorrido

pela ranhura das pedras, teu corpo

despido no murmúrio do sol?)


O verão na face e a luz

mais viva dos círios, sorvo-te

completa, a boca inteira

entrelinhas sinuosas…


Onde estiveram, assim, tão cheios

de seiva teus seios simples,

duros

sem meus lábios?



3.


Os calcanhares do tempo

ressoam na terra, homem,

em ecos

as vidraças que te ouvem!…


Entra

vivo

cor e som.


(Que calor

visionarias agora

na hora

das ancas dançando

na seda do lago onde dormes?)


Quantas sombras,

salpicos oceânicos,

no orgânico rosto metalizado…


(E tu,

através do cano,

namoras

a hora

que te leva ao chão?)


a sombra

a sombra do sono

e de novo dormes!…



4.


Quantas aves fazem ninho no teu corpo

quanta abundância de húmus

agarrado a tuas pernas

são tuas lágrimas quem rega?



É intenção do observador, nesta hora menos própria do dia

despir-se como todos os amantes [a esta hora menos própria do dia

gemem as flores o sol da tarde — sem refresco de frutos por perto onde

mergulhar a boca ressequida ou o corpo (como sofá de pele

que a luz vai comendo)].

É intenção do observador, nesta hora menos própria do dia

mergulhar como todas as crianças nos tanques que povoam a cidade

sem o constrangimento da nudez exposta ao transeunte dando cor

à reportagem de meteorologia: — até fez levantar o asfalto!…

É intenção do observador, nesta hora menos própria do dia

dormir a sesta — até deus o fez ao sétimo dia, porque não fazê-lo

o pobre poeta à sétima hora — após o sol lamber a terra?



Quando subires a serra,

verás o resto

e saberás quem dorme na tela

jorrando água pelos olhos.



5.


Desapareceu o arauto

essa figura de gente que nos batia à porta dos tímpanos

com as novas do dia, lá pela baixa,

e interpelava os manequins passeantes com os fatos último grito,

com sua voz rouca de bagaço.


Desapareceu o arauto

mas a desgraça, não. Tal como o ardina, também ela se veste

de maltrapilho. Farrapos com nome, sim. Farrapos são manequins

passeantes com seus fatos último grito,

(pensando que envergonham as montanhas frias

a noroeste dos sonhos

onde mais uma desgraçada teve um bastardo

do dono da fábrica.

— Já não se usa?!…)


Desapareceu o arauto

e a voz dos bastardos do mundo — fui com eles:

Subimos as penedias interiores onde o tempo parou.

É lá que vivem agora, luz e cor, abrigados por detrás de um cartaz

anunciando cerejas na face da estrada.

E o lugar vai-se enfeitando pelas suas mãos:

cortam-lhe os cabelos espinhosos enquanto as cabras pastoreiam.


Desapareceu o arauto

das ruas

frias

nuas

como a voz dos homens!



6.


Não

mudou

de nome

a lagoa ao fundo do corpo


nem

as mãos

que a mergulham


ganharam asas e novo voo


revivem

apenas

a estrada


com renovado sabor

a luz que outrora era e não via



7.


A minha mãe encontra-se no quadro

rentinho ao chão

pintada a flores de tons sagrados

murmura quando acorda

pelo estio

sedes à minha boca


como fugir deste chamamento

solteiro?


nos traços da lua vejo

pedaços dela

como é bela a minha mãe

viva no quadro

rentinho ao chão.


FERNANDES, Júlio A. B. – Maio 2009

RODOPIOS



10.


Quando o sol acaricia o corpo

a sombra é mais nítida

e os olhos não param na alfândega,

tudo é rápido nesse país

de porta escancarada ao sonho.


Talvez me venha a lembrar um dia

com suor e assombração

de alguns desses sonhos que ficaram

no outro lado da fronteira, ou não!…


A que saberão os frutos fora de tempo?!



11.


No dia em que tudo mudar, secaram os solos do corpo

e os lençóis dos pequenos ribeiros

deixaram de desaguar no rio

e o estuário do coração apodreceu

e os vermes sugarão o que restar das águas sem sal


(Serão os horários do dia e sem mel os da aurora!).


No nocturno espreitar,

limpar-se-ão lágrimas

conhecidas pelo silêncio

coberto por nuvem de poeira.


Não adianta limpar.

Mas se algo for pisado para esconjurar o tempo,

que seja no amanhar do campo que foi de letras

em redor do que passou vivo

e se deitou para além do efémero.


Dizem que o nome é a pessoa toda —

talvez somente o que reste

a fazer lembrar e ser em memória.


Se calhar até é bom baixar os pés à poeira dos campos;

e subir, tirando as sandálias, para nos levarmos um ao outro

pelo caminho que leva ao carinho paterno-materno onde

ficará guardada a memória do nome.


FERNANDES, Júlio A. B. – Maio 2009.

RODOPIOS



7.


Palavras soltas sobrevoam o claro azul

de Bayona e pousam na muralha erguida

lembrando barbáries em volta da consciência…

— não, não é de Darke que falo

nem do mau vento que vem do outro lado do Marão

nem do cerco da Flor do Lima

nem de Teresa, não!

(Que a frescura

é mais azul vista à distância

contrastando com as fráguas

e a carne das montanhas.)

Sim, palavras soltas, passeando

livres sobre a marina plaina que o Carpinteiro

roçou com calma para que os olhos

não borbulhassem algo menos

do que a harmonia desse corpo estendido,

desse pavilhão erecto nessa hora minha

de reencontrar na memória

citânias do tempo por onde passou História.

Apenas!



8.


É agora que as horas

dos rodopios

soam nas quatros das seis

imagens de corpo único

- justiceiro -

para além dos destroços

dum rio morto.


Ainda sobejam odores

de vazio

na quietude da esfera

e um paludismo incómodo

arde no corpo das fráguas

(como petisco cozinhado

pela avó

para a assembleia plebeia

mórbida

por mais um espectáculo no pelourinho...).


Da boca.............................................

de azul (mais encarnado)

dos sons singelos

emanam ecos de luz

e sombras quietas.


9.


Tal como ficou combinado

e dar alguma utilidade às mãos

aqui te deixo esta. (Escrita entre

dos golos de vinho à temperatura


do corpo, não vá ressentir-se a garganta

da diferença térmica

nem o copo suar uma gripe a curar

entre panos quentes e canja de ave.)


Pois é como te disse na última,

mas como faltaste ao encontro

só posso dizer pelos olhos das palavras,


que me ficaram nos ouvidos

antes de adormecer com a letra na boca

do que haveria de dizer-te agora.


FERNANDES, Júlio A. B. – Maio 2009.

RODOPIOS


4.


Jogo contigo o virtual jogo das cores

silenciosas

como a respiração amazónica

estendida.


E a sombra é um golfinho

mergulhando

no som da letra de ar rarefeito

tão alto se encontra

tão leve movimenta

energia

suportada no interruptor

junto à porta.

Contigo atrevo-me ao jogo

das flores enigmáticas

boiando em lagos artificiais.


Pedúnculo e voz

livres

para além das mãos.



5.


Que resta depois da voz

ferir o silêncio

e no vento curando-se

que cicatrizes

lhe marcam o corpo?


Que nome tem este reflexo

de céu e a que flor

tirou a brancura que o encabela?


Quantos sentidos guarda

cada bolha

que lhe emerge do corpo

e, em cada mergulho

quantos beijos esconde da cor?!



6.


Era lá, na garganta da montanha

onde os de Cister ergueram o moinho

eram horas de galo abanando o dia

naquele quarto pequenino

decorado com objectos de criança…


Tão longe ficaram

o saco dos berlindes

e os piões mai-los baraços…

Não fosse a memória entornar

e ficariam sombra

(ah, como os dedos atrapalham

estas cores)



Quanto carinho são capazes

as fráguas de transportar

ao colo do húmus encarnado

num corpo?



Disse que sim e fomos,

que os elos da alma não se cortam

com tesouras de podar

momentos…



Na intimidade

emergem

segredos

alegres sentimentos

com rochas em pano de fundo

e fica-se sem palavras

quando os botões

onde as mãos tocam

surpreendentemente

nunca chegam a ser flores!


FERNANDES, Júlio A. B. – Maio 2009.

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