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pela preposição, poderia dizer d’ele… ou com ele –
que o remédio dos homens faz-se também de princípio
(ou é dele ou com ele). pela rebeldia dos olhos,
poderia dizer que é com e, assim, estabelecer uma linha
de seiva que, subindo pelos troncos, alimentaria a árvore toda
(fosse meu corpo madeira a dançar ao vento
ou uma ave planando sobre a superfície do mar;
fosse meu ser mais que caravela dobrando cabos –
de tormentas ou boas-esperanças – e eu diria mais…
preposições… advérbios: modos e lugares: circunstâncias).
mas não. o poema não é isso. não deve ser isso.
o poema é a água que caiu na raiz da pedra e só pode ser lágrima
que acompanha a primeira queda dos registos rupestres.
pela preposição, poderia dizer da outra argola que entala a boca –
ou ele ou dele todos os cabos da escrita selvagem.
com ela e por ela, poderia afirmar coisas que os olhos não narram.
contar os cravos das mãos por cada estrela apontada…
e fazer pérola cada aljôfar de água
com que os antepassados pintaram… — a luz da pedra.
©Júlio Fernandes - Fev. 2011