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terça-feira, 5 de maio de 2009

RODOPIOS


1.


Tal como ficou combinado

e dar alguma utilidade às mãos

aqui te deixo esta. (Escrita entre

dois golos de vinho à temperatura


do corpo, não vá ressentir-se a garganta

da diferença térmica

nem o copo suar uma gripe a curar

entre panos quentes e canja de ave.)


Pois é como te disse na última,

mas como faltaste ao encontro

só posso dizer pelos olhos das palavras,


que me ficaram nos ouvidos

antes de adormecer com a letra na boca

do que haveria de dizer-te agora.



2.


Respondendo à última que me fizeste chegar

entre duas ou três coisas “sabidolas”

vai esta, na volta, para dizer

da preparação dos lagares de azeite.


É que as olivas, maduras, começam a pedir

que se lhes esprema o sumo.

A candeia mantem-se acesa, por enquanto,

que o ano foi regadio e solarengo.


O varejador já veio pelo dia e pelas aparadeiras.

Para minimizar as perdas

contratei entre mulherio da aldeia


as mais robustas e capazes de suportar

as agrestes subidas e descidas do olival

carregando o fruto.



3.


Há dias, aterefamo-nos com o adubo,

sacholamos as ervas e arrasamos os

combros do batatal da terra de cima.

Agora vamos entreter-nos a pincelar


com cal os pomares da terra de baixo.

Para amanhã ficará a tarefa

de esvaziarmos as represas pelas raizes

do milho das terras do meio.


Pelas folhas enrugadas pressente-se

a falta de água. Não vamos deixar

que percam o viço antes de tempo.


Os trigais já vergam a cabeça, mas

uma ou duas semanas mais não

lhes fará mal algum, antes da eira.


FERNANDES, Júlio A. B. – Maio 2009.


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