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terça-feira, 5 de maio de 2009

RODOPIOS



7.


Palavras soltas sobrevoam o claro azul

de Bayona e pousam na muralha erguida

lembrando barbáries em volta da consciência…

— não, não é de Darke que falo

nem do mau vento que vem do outro lado do Marão

nem do cerco da Flor do Lima

nem de Teresa, não!

(Que a frescura

é mais azul vista à distância

contrastando com as fráguas

e a carne das montanhas.)

Sim, palavras soltas, passeando

livres sobre a marina plaina que o Carpinteiro

roçou com calma para que os olhos

não borbulhassem algo menos

do que a harmonia desse corpo estendido,

desse pavilhão erecto nessa hora minha

de reencontrar na memória

citânias do tempo por onde passou História.

Apenas!



8.


É agora que as horas

dos rodopios

soam nas quatros das seis

imagens de corpo único

- justiceiro -

para além dos destroços

dum rio morto.


Ainda sobejam odores

de vazio

na quietude da esfera

e um paludismo incómodo

arde no corpo das fráguas

(como petisco cozinhado

pela avó

para a assembleia plebeia

mórbida

por mais um espectáculo no pelourinho...).


Da boca.............................................

de azul (mais encarnado)

dos sons singelos

emanam ecos de luz

e sombras quietas.


9.


Tal como ficou combinado

e dar alguma utilidade às mãos

aqui te deixo esta. (Escrita entre

dos golos de vinho à temperatura


do corpo, não vá ressentir-se a garganta

da diferença térmica

nem o copo suar uma gripe a curar

entre panos quentes e canja de ave.)


Pois é como te disse na última,

mas como faltaste ao encontro

só posso dizer pelos olhos das palavras,


que me ficaram nos ouvidos

antes de adormecer com a letra na boca

do que haveria de dizer-te agora.


FERNANDES, Júlio A. B. – Maio 2009.

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