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terça-feira, 5 de maio de 2009

RODOPIOS


4.


Jogo contigo o virtual jogo das cores

silenciosas

como a respiração amazónica

estendida.


E a sombra é um golfinho

mergulhando

no som da letra de ar rarefeito

tão alto se encontra

tão leve movimenta

energia

suportada no interruptor

junto à porta.

Contigo atrevo-me ao jogo

das flores enigmáticas

boiando em lagos artificiais.


Pedúnculo e voz

livres

para além das mãos.



5.


Que resta depois da voz

ferir o silêncio

e no vento curando-se

que cicatrizes

lhe marcam o corpo?


Que nome tem este reflexo

de céu e a que flor

tirou a brancura que o encabela?


Quantos sentidos guarda

cada bolha

que lhe emerge do corpo

e, em cada mergulho

quantos beijos esconde da cor?!



6.


Era lá, na garganta da montanha

onde os de Cister ergueram o moinho

eram horas de galo abanando o dia

naquele quarto pequenino

decorado com objectos de criança…


Tão longe ficaram

o saco dos berlindes

e os piões mai-los baraços…

Não fosse a memória entornar

e ficariam sombra

(ah, como os dedos atrapalham

estas cores)



Quanto carinho são capazes

as fráguas de transportar

ao colo do húmus encarnado

num corpo?



Disse que sim e fomos,

que os elos da alma não se cortam

com tesouras de podar

momentos…



Na intimidade

emergem

segredos

alegres sentimentos

com rochas em pano de fundo

e fica-se sem palavras

quando os botões

onde as mãos tocam

surpreendentemente

nunca chegam a ser flores!


FERNANDES, Júlio A. B. – Maio 2009.

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